terça-feira, 5 de julho de 2011

Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu

O MOFO

O gosto amargo da derrota, cheirando a mofo, a vomito, a vodka barata, a cigarros. Uma melodia sentimentalmente melancólica aos fundos. Escuridão e desencontros. O gosto da escuridão esculpida em delírios da alma. Encravada em labirintos tortuosos e escuros de forma magistral. A sensação é idêntica à saída de uma montanha-russa.
OS MORANGOS

Aqui, uma paz tranquilizadora invade de forma mágica a alma dos personagens. Como se a existência de um final feliz fosse possível em breve, ou como se a vida fosse menos pesada. O doce levementa ácido do morango fundido na língua, mostrando um belo dia de sol após uma tempestade. Mas o doce dá espaço para a acidez, transformando pedaços de magia em mágoas e solidão. Enquando o dente fere o vermelho brilhoso do morango, na boca permanece o gosto azedo do preconceito, do medo, dos sonhos perdidos, das utopias transformadas em contas bancárias. O enjoo natural dos abusos. Dos delírios causados pelo excesso de cocaína.

MORANGOS MOFADOS

Com os olhos fechados, ouço "Let me take you down, 'cause I'm going to Strawberry Fields. Nothing ir real an nothing to get hung about. Strawberry Fields forever". Como se eu estivesse num universo paralelo, um refúgio, um abrigo, uma morada longe, mas dentro, do caos urbano. Uma espécie de esconderijo para se abrigar na chuva tóxica, ou dos desatinos do coração. Enquanto imagens explodem diante de nossos olhos cansados, ao fundo, o som dos Beatles vai levemente aumentando, aumentando...

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