Revisitar minha coleção de tesouros alheios sempre me faz pensar nas coisas que encontrei pelo caminho entre mudanças e viagens; e claro, também nas que perdi. Essas coisas perdidas em cafés, parques e calçadas logo se transformam em partes de uma história que espera para ser contada; seja por aqueles que propositalmente as deixaram para trás para serem encontradas ou por maníacos que buscam obsessivamente por conexões inusitadas, como eu.
Tenho que confessar minha excitação diante da menor pista para acessar intimidades alheias: pensamentos esparsos, bilhetes com chavecos de bar e livros de sebos com dedicatórias sempre me provocaram a curiosidade e alimentaram minha imaginação, garantindo um certo fervor a vida.
Sei que pode soar piegas, mas esse tipo de sentimentalismo me lembra a infância, quando "coisas" me fizeram experenciar a instância máxima e mais duradoura das relações.
Aquelas coisas não tinham funções pré-definidas, e qualquer uma delas podia existir como bem entendesse: hoje tapete, amanhã vestido. Realmente eu não parecia me importar com o fato de as vezes estar vestindo um trapo ou carregando um urso sem cabeça.
Talvez haja algo de muito inocente e romântico em carregar esse tipo de fantasia em um mundo que insiste em inovar e a substituir o "velho" pelo "novo" ao invés de cuidar, restaurar e estabelecer conexões emocionais com os objetos já gastos , mas fiéis. Sou mesmo dos que levantam a bandeira dos usados, encontrados e remendados.
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