domingo, 17 de julho de 2011
Claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, a questão é onde, não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? Ora, não me venha com auto-conhecimentos redentores, já sei tudo de mim, tomei mais de cinquenta ácidos, fiz seis anos de análise, já pirei de clínica, lembra? Você me levava maçãs argentinas e fotonovelas italianas, Rossana Galli, Franco Andrei, Michele Roc, Sandor Moretti. Eu te olhava entupida de madrix e babava soluçando. Perdi a minha alegria, anoiteci, roubaram a minha esperança, enquanto você, solidário e positivo, apertava o meu ombro com a sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha previlegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária, bababá bababá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, e cadê a causa, cadê a luta, cadê o potencial criativo?
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