"a culpa é do hipócrita,
do mentiroso e do esperto ao contrario…
que joga a pedra e esconde a mão”Estamira.
São os dias a redução de nossas vidas e toda ela. Na consecução das horas propomos algo, sempre, incansavelmente apontamos uma direção, uma proposta ou até alguma recusa. Mas venho “suspeitando” da torpe cegueira que nos acomete para propósito específico, conforto imediato, medo gratuito. Para onde caminhamos e verdadeiramente segue-me a própria sombra, que estrada responde nossas expectativas? – inventamo-nos e desconstruímos a nós de forma análoga a feitura destas mesmas invenções. Aos obstáculos e ao pouco que a vida me entrega de forma fácil e simplória digo-lhe com palavras de poeta amargurado: não as quero, devolvo-lhe como um tapa na outra face, jamais irei aceitar de bom grado uma oferta que me venha ser: “a doença da felicidade”, “a resignação ao sorriso fácil”, “o modesto de: te aceito entre os nossos” – minha vida é minha escolha, meu corpo única obrigação e aos meus olhos sinceros à todo aquele que saiba vê-lo. E o poeta solitário e atento nos diz: ”Eu não vou querer… O amor somente é tão banal. Busco a paixão fundamental, Edípica e vulgar, de inventar meu próprio ser.(Belchior)” – justo o próprio ser a invenção completa e contínua de si mesmo, sem entregar-se ou por abaixo o esconderijo secreto que reside a aliança mais completa entre os homens, a sinceridade que propõe a loucura e a embriaguez, ao instantâneo e imprevisto, ao que nada importa e tudo há: o dilema da fraternidade. Ao aperto de mãos não indulgentes, aos abraços que sufocam a dor e o temor, à união da terra e do sol banhado pelo mar e assistido pelas estrelas e para tanto aos que compartilham teus segredos comigo dou-lhes toda minha devoção o que me resta de mais caro. E por fim:
…eu não estou interessado Em nenhuma teoriaEm nenhuma fantasiaNem no algo maisLonge o profeta do terrorQue a laranja mecânica anunciaAmar e mudar as coisasMe interessa maisAmar e mudar as coisasAmar e mudar as coisasMe interessa mais…”(Belchior – Alucinação)
“Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorroAno passado eu morri mas esse ano eu não morro” (Belchior – Sujeito de sorte)
“Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorroAno passado eu morri mas esse ano eu não morro” (Belchior – Sujeito de sorte)
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